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05 de out. de 2021
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Por fazer parte de grupo minoritário, comunidade LGBTQIA+ é mais suscetível a ser acometida por transtornos mentais Por Rafaelle Gomes — Rio de Janeiro, Brasil. 16/09/21 Preconceito, violência e não aceitação são os vilões da saúde mental da comunidade LGBTQIA+. Além de questões psicológicas relacionadas à percepção da autoimagem e autoestima, o aumento dos sintomas ansiosos e depressivos pode ser algo recorrente. É fundamental cuidar das manifestações psíquicas para evitar crises agudas e possíveis ideações suicidas. O Brasil é um dos países que mais mata pessoas trans e travestis, segundo levantamento feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), 175 mulheres transexuais e travestis foram assassinadas em 2020. No primeiro semestre de 2021 foram 80 pessoas, sendo 78 mulheres trans e travestis e 2 homens transmasculinos. Além da violência física, a violência institucional junto à estigmatização e marginalização de pessoas trans, atua diretamente na autoestima, valor e autoimagem. Realizando atendimentos voltados para a comunidade LGBTQIA+, o psicólogo clínico Leonardo Ribeiro, de 25 anos, diz que é notório o quanto a discriminação afeta a saúde mental daquele que a sofre: “é comum essas pessoas trazerem questões associadas a sintomas ansiosos e depressivos que são marcadas por uma violência”. A construção da identidade e o processo de aceitação da sexualidade e/ou identidade de gênero pode ser assustador, é um momento de dúvidas, medos, angústias e receios. Para a designer Fernanda Machado, de 22 anos, o processo de descoberta da sua sexualidade foi aos 14 anos, marcando uma experiência conturbada: “veio um momento de depressão profunda; eram muitas perguntas e pouquíssimas respostas” e finaliza dizendo: “eu ficava muito ansiosa em casa, era sufocante”. Quando comparado a população cisgênero e heterossexual, a população LGBTQIA+ tende a desenvolver com mais facilidade problemas na saúde mental como, por exemplo, sintomas ansiosos, depressivos, entre outros. Em pesquisa referente à saúde mental da comunidade LGBTQIA+ realizada por formulário, 56,52% das pessoas que preencheram a ficha alegam medo, negação da própria sexualidade e um processo doloroso de descoberta, além disso, 39,13% apontam que não ser uma pessoa assumida para a família prejudica sua saúde mental. Segundo a psicopedagoga e psicanalista Leila Gomes, de 54 anos, muitas pessoas da comunidade LGBTQIA+ estão “perdidas nos seus próprios conceitos de não querer se aceitar porque o outro não aceita” e explica que “os sintomas de ansiedade também podem aparecer devido a vontade de mostrar aquilo que realmente são”. Em sua teoria do estresse das minorias, o epidemiologista Ilan Meyer afirma que há um risco maior de consequências à saúde mental e qualidade de vida das minorias sociais devido à ocorrência de estressores originados de um ambiente discriminatório e preconceituoso; o modelo nos apresenta dois estressores específicos: distais e proximais. Enquanto os distais ocorrem no mundo exterior como, por exemplo, a vivência do preconceito, violência e microagressões, os proximais são internalizados, ou seja, crenças que o indivíduo tomou para si como verdade; são elas: expectativa de rejeição, ocultação da identidade e internalização do estigma. No caso dos distais dentro da comunidade LGBTQIA+, devido ao apagamento da identidade e violências constantes, o indivíduo internaliza todo o preconceito e discriminação, fazendo com que ele crie uma relação de reprodução desses pensamentos e práticas consigo mesmo, desenvolvendo uma saúde mental fragilizada. O medo de sofrer agressões, não atender às expectativas familiares e se ver como um erro, desencadeiam episódios ansiosos e depressivos que, quando não tratados, levam a crises mais graves. A universitária Keila Silva, de 26 anos, recorda momentos de angústia ao ser repreendida por estar de mãos dadas com a sua ex-namorada: “a gente descobriu a repressão, agora eu evito contato físico em certos ambientes porque isso me deixa ansiosa”. A internalização pode aparecer de forma inconsciente em diversos âmbitos da vida social, o privando de uma saúde física e mental digna e, dependendo do grau da internalização das violências sofridas, a pessoa pode vir a ter pensamentos, comportamentos e ideações suicidas. É importante destacar que ninguém é acometido por transtornos mentais por ser LGBTQIA+, mas a opressão faz com que o adoecimento desse indivíduo aconteça. Saúde mental na pandemia Durante a pandemia, houve um aumento expressivo nos índices de depressão, suicídio, colapsos nervosos, ansiedade e crises de identidade, de acordo com estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), as crises de depressão tiveram um aumento de 90% e as de ansiedade e estresse praticamente dobraram entre março e abril de 2020. Não ter uma rede de apoio pode ser um dos primeiros fatores de adoecimento mental, não viver em um ambiente seguro e ter uma família desestruturada gera sentimentos de solidão e desamparo. Vini Peixoto, de 32 anos, diz que começou a lidar com a sua identidade de gênero ainda na pandemia. Por ser uma pessoa trans não-binária, o preconceito e a violência internalizada eram tão intensos, que sua vida virou uma verdadeira montanha-russa. Entre episódios de euforia, intercalados de uma forte depressão, as ideações e comportamentos suicidas vieram à tona. Hoje, diz chorando: “se não fosse a terapia, não sei se estaria aqui” e completa: “depois de 32 anos, foi a primeira vez que eu consegui falar para mim: “Eu te amo”, eu nunca tinha dito em 32”. O psicólogo clínico Leonardo Ribeiro enfatiza que a terapia é imprescindível na vida do ser humano, principalmente fazendo parte de grupos minoritários: “o sujeito não tem a capacidade de vivenciar preconceitos e violências sem adoecer em um sistema que impede uma vida saudável”. Para pessoas que não têm condições financeiras de pagar um tratamento, instituições públicas e projetos sociais podem ser a solução. Junto à sua equipe, Vini Peixoto idealizou e financiou o projeto de saúde mental do Peixe Não Binárie. O projeto tem como objetivo atender especificamente a comunidade LGBTQIA+ de baixa renda; a proposta visa arcar com as despesas de terapia e medicamentos prescritos. Hoje, o projeto atende 12 pessoas e conta com uma lista de espera, no entanto, pretendem ampliar o público beneficiário através de novos financiadores. Saiba identificar os sintomas da depressão e ansiedade É fundamental que a população saiba identificar os sintomas para procurar a ajuda médica necessária. Os sintomas físicos da ansiedade podem incluir taquicardia, suor exacerbado, hiperventilação, tremores, calafrios, entre outros. No psicológico, atuam causando dificuldade de concentração, angústia e sensação de medo constante. Já os sintomas depressivos estão ligados a perda ou aumento de apetite, alteração no sono, perda de interesse pela vida e atividades que costuma apreciar, sentimento de invalidação, vazio, desesperança, humor triste constante e irritabilidade. Se o quadro depressivo é agudo, tendem a criar ideações suicidas e possíveis tentativas. Caso esteja vivenciando ou presenciando os sintomas apresentados, procure profissionais de saúde mental ou entre em contato com o CVV, o suporte emocional nesses momentos é essencial. CVV | Centro de valorização da vida Ligue para 188 ou entre em contato pelo site: https://www.cvv.org.br/
O preconceito é uma das maiores causas de adoecimento mental na comunidade LGBTQIA+ content media
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